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SAÚDE E DOENÇA NA VISÃO GESTÁLTICA
Recorte do Livro: Com-Textos em Gestalt-Terapia e Análise Existencial

saude-e-doenca


A Psicologia da Gestalt sendo um dos fundamentos da Gestal-terapia aponta que todo organismo busca a sua autorregulação ou homeostase, em um impulso que é natural do próprio ser, ou seja, o ser busca satisfazer as suas necessidades vitais (fome, sono, sexo, por exemplo) através da interação humana e da negociação entre aquilo que deseja e o que o ambiente é capaz de proporcionar.

Assim, essas necessidades podem ser fisiológicas, psicológicas, sociais, dentre outras, e quando satisfeitas, o indivíduo se sente em equilíbrio. Portanto, quando ele está em um funcionamento psíquico saudável, seu ciclo vital está seguindo em fluxo. Se essa fluidez é interrompida, compreende-se que o ser está em um processo disfuncional e adoecedor (LIMA, 2014).

Perls amplia a visão acima e salienta que vivemos em uma constante mudança. Por isso, saber adaptarse aos diferentes contextos, bem como utilizar a criatividade para resolver os problemas ou pensar em novas possibilidades de vida é estar saudável. Já quando perde-se essa capacidade criativa e utiliza-se de um repertório de respostas fixas, a pessoa está paralisada diante do meio e adoece (LIMA, 2014).


Em outras palavras, saúde:

[...] está relacionada à capacidade da pessoa de responder de maneira criativa e autêntica às suas demandas e àquelas do seu mundo próprio, reconhecendo e legitimando suas experiências, o que inclui suas possibilidades e limitações no momento presente. Assim, ela é muito mais ampla que a mera ausência de sintomas ou doenças, pois requer a capacidade de estar em relação e de investir afetivamente nos laços inter-humanos.

Saúde, portanto, tem relação com a capacidade e com as habilidades do ser em responder às imprevisibilidades inerentes à vida (CARDOSO, 2017, p. 41 e 42). Portanto, para Cardoso (2017) saúde é entendida como a capacidade da pessoa em ajustar-se criativamente ao meio e a se posicionar singularmente em seu cotidiano de vida, de modo flexível e de maneira processual.

Já doença ocorre quando, pelo contato inter-humano, a pessoa se vê em ameaça ou não possui suporte suficiente para lidar com a novidade decorrente da situação em que vive. Segundo Cardoso(2002) e Fukumitsu, Cavalcante e Borges (2009), é por esse motivo que se manifestam comportamentos rígidos e cristalizados ao interagir com o mundo como um todo, o que influenciará a gênese de qualquer enfermidade.

Em suma, de acordo com Holanda (1998), a Gestalt-terapia busca dar atenção à saúde, enfatizando mais as potencialidades do ser-aí (o Dasein heideggeriano), do que de seus sintomas e limitações. O adoecimento humano seria, então, esse movimento de fechamento da pessoa em sua interação com o mundo, interno ou externo. Essa tomada de consciência possibilita a construção de uma vida saudável dentro de suas possibilidades humanas (PERLS; HEFFERLINE; GOODMAN, 1997).

De acordo com Francessetti (2015), quando a subjetividade da pessoa não se constituiu completamente de modo a diferenciá-la do outro, ela pode desenvolver um campo psicopatológico que a leva a experiências de adoecimento humano. Esse campo é “fenomenológico em que há uma ausência na fronteira do contato: é um campo em que o sofrimento está contido como uma ausência” (FRAN-CESSETTI, 2015, p. 07, tradução livre do autor).

REFERÊNCIAS:
RECORTE EXTRAÍDO DO LIVRO:
Com-Textos em Gestalt-Terapia e Análise Existencial [recurso eletrônico]: estudos produzidos no Curso de Especialização em Psicologia Clínica Gestalt-Terapia e Análise Existencial Brasileiro, Volume 2 / José Paulo Giovanetti, Cláudia Lins Cardoso, Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista (Organizadores) – Belo Horizonte: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 2019, páginas: 91 e 92.



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